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Paula Santoro

CD da cantora tem participação de Chico Buarque e Toninho Horta, com influência do jazz e do Clube da Esquina

Criada na melhor escola mineira, a cantora Paula Santoro divide-se entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro há sete anos, esmerando sua formação musical entre os sons do Clube da Esquina e a influência do jazz, do samba, da bossa-nova e da MPB. Todos estes afluentes estão novo álbum de Paula, que sai agora pela Biscoito Fino. Com participação de Chico Buarque, Toninho Horta e Banda Mantiqueira, Paula percorre o caminho de volta dos sons que mais a influenciaram, de forma cristalina e contemporânea.

“Este CD é uma homenagem a alguns dos meus compositores favoritos. Quis abranger diversas referências, buscar linhagens musicais diferenciadas. Os músicos foram fundamentais para a construção da sonoridade. Eles tocaram simultaneamente em todas faixas, o que proporcionou criatividade e liberdade aos arranjos”, resume. Dentre essas linhagens, Paula foi buscar  Moacir Santos, Aldir Blanc, Fátima Guedes, Toninho Horta, Milton Nascimento e Chico Buarque. Atenta às novidades de sua geração, descobriu novas safras de Seu Jorge, Robertinho Brant, Eduardo Neves, Mauro Aguiar.

Paula cercou-se de dois músicos e produtores que há tempos acompanhavam seu trabalho. O baixista Rodolfo Stroeter e o pianista Rafael Vernet assinam a produção e participam de quase todas as faixas.

“Estava decidida a gravar algo de Moacir Santos. Pesquisei sua obra inteira e liguei para ele em Los Angeles, pedindo sugestões. Conversamos uma hora e meia, ele deu várias idéias. Quis abrir o disco com Moacir, que influenciou todos os outros” – conta Paula. A música escolhida foi “Se você disser que sim”, com letra de Vinicius de Moraes, do álbum “Elizeth canta Vinicius”. Aqui, com arranjo de Nailor ‘Proveta’ e participação da Banda Mantiqueira. “É um samba, e na primeira parte adotamos o ritmo mojo, inventado pelo próprio Moacir”, explica.

A segunda faixa traz ninguém menos que Chico Buarque, recriando “Sem fantasia”, lançada no início de sua carreira. “Queria uma canção do Chico menos gravada e lembrei desta obra-prima. Foi a realização de um sonho gravar em dueto com ele”, celebra. A música tem arranjo de Jaques Morelenbaum e Rafael Vernet. O CD traz como bônus o vídeo da gravação.

Ainda de Chico, há “Léo”, uma parceria com Milton Nascimento nos anos 70, lançada originalmente no disco “Clube da Esquina 2”. De Milton, Paula pescou ainda uma criação dos anos 60, com Toninho Horta, que permanecia inédita. Trata-se da bossa “Segue em paz”: “Fui na casa de Toninho pedir umas músicas. Quando me mostrou essa, fiquei surpresa em saber que nunca havia sido gravada. Bituca sequer se lembrava dela. É a única parceria deles”, aqui com arranjo e participação de Toninho Horta. O violão de Toninho também está presente em “Nós dois”, de Vicente Paiva e Fernando Martins: “gravamos num take só, às 2h da manhã”, conta.

Outras grandes influências de Paula Santoro são Djavan e Fátima Guedes, aqui em “É sério”; o poeta Cacaso, em “Perfume de cebola”, com música de Filó Machado que participa nos vocais e violão ao lado da Banda Mantiqueira; a dupla Nelson Angelo e Murilo Antunes, em “Como se a vida fosse música”, a primeira canção a entrar no repertório: “Nelson Angelo é um dos maiores compositores do Brasil. Cacaso faz parte do meu descobrimento da música. O primeiro show que fiz na vida foi uma homenagem a ele. Djavan dispensa comentários. Adoro seus primeiros álbuns. Já Fátima é a única compositora de todo o repertório, adoro suas canções e é uma das melhores intérpretes que conheço”, diz.

De gerações posteriores, há o gaúcho Vitor Ramil, em “Não é céu”, com arranjo de Rafael Vernet e participação de Robertinho Silva, nas percussões, e de Nenê, na bateria. “Rainha do meu samba” une o suingue carioca de Seu Jorge à poesia mineira de Robertinho Brant, com Toninho Horta ao violão, Teco Cardoso na flauta e arranjo de cordas de Jota Moraes. “Essa me deixou arrepiada de cara. E apresenta um lado bossa, menos conhecido, de Seu Jorge”, revela. A gravação de “Céu no cio” reafirma a identificação de Paula com a dupla Eduardo Neves e Mauro Aguiar, de quem defendeu “Um samba a dois”, no recente Festival da TV Cultura. “Yemanjá Rainha” é uma prece em forma de música, pelos profetas Aldir Blanc e Moacyr Luz: “Quis fechar o disco com uma música em feitio de oração. Este ano é de Yemanjá, é um ano feminino. Fico feliz de ele representar um momento especial para mim”, agradece Paula. E a música brasileira retribui.